Kung Fu é uma expressão antiga que,
genericamente, no dialeto cantonês (proveniente de Cantão, no sul
da China), significava “tempo e esforço desprendido numa atividade” ou “grau de
perfeição alcançado em qualquer área de atuação” ou ainda “conhecimento
profundo de um assunto”.
Na década de
70, essa expressão ficou mundialmente conhecida como denominador das artes
marciais chinesas através dos filmes de artes marciais. Entretanto a expressão
gramaticalmente correta para designar arte marcial é WUSHU, originária
do mandarim (vale lembrar que após 1945, Mao Tsé Tung designou o mandarim como língua
oficial chinesa).
Alguém
poderia perguntar por que então foi escolhido o termo “KUNG FU” e não
“KUOSHU” ou “WUSHU” para representar Arte Marcial?
Muito
simples: os primeiros imigrantes chineses eram de Cantão, que é uma região
litorânea.
O acesso ao
mar era mais fácil para estes imigrantes que para os de outras regiões da
China. Estas pessoas espalharam-se para todo o mundo: Europa, África, Oceania e
Américas, para tentar ganhar a vida e obter condições de sobrevivência melhores
do que as que possuíam em seu país de origem.
Apenas eles
mesmos compreendiam o idioma chinês, pois é um idioma complicado.
Em sua vida
diária, sempre reservavam um tempo de lazer para treinar os movimentos de
exercícios de lutas que aprenderam na China.
Por outras
vezes, eram perseguidos por serem de origem oriental e provocados para brigas.
Com uma estrutura física franzina na maioria das vezes, venciam lutas contra
homens maiores que eles. Evidentemente, isso causava surpresa aos habitantes
nativos de qualquer país.
Que técnica
era essa, com a qual um homem tão pequenino podia bater com facilidade em
qualquer grandalhão?
Na sua
curiosidade, as pessoas indagavam aos chineses como se chamava essa técnica,
essa “coisa estranha” que eles dominavam tão bem. Aí começava a confusão de
idiomas.
Os chineses
queriam explicar que para saber tais movimentos era necessário treinar muito,
era preciso dedicar algumas horas por dia a essas técnicas, enfim, que era um
trabalho árduo conseguir tal condição física para luta.
Então, como
não tinham o vocabulário suficiente para conversar, respondiam simplesmente “É
KUNG FU” (o que significava: “trabalho intenso para ficar bom nisso, ou
simplesmente saber fazer”) e paravam por aí.
Por outro
lado, as pessoas passaram a interpretar que aqueles chineses cantoneses
praticavam uma luta de nome Kung Fu. Portanto foi graças àqueles primeiros
imigrantes do sul da China que o nome Kung Fu se espalhou pelo mundo.
Pioneiros
do kung fu no Brasil
A partir do
ano de 1959, desembarcaram no Brasil os primeiros Grão-Mestres chineses
vindos de Cantão e de Hong Kong.
Iniciaram os
ensinamentos com muita dificuldade, principalmente devido à língua e à cultura
brasileira; a princípio em casas com aulas particulares, depois em centros
comunitários e finalmente abrindo as próprias academias onde a maioria continua
até hoje.
Os pioneiros
no Brasil foram os Grãos Mestres Wong Sue Keung (Tai Chi Chuan), Chan
Kowk Wai (Shaolin do Norte – Bak Siu Lum), e Chiu Ping Lok (
Shaolin do Sul – Fhai Hok Phai).
Em 1971
chegou a São Paulo o Mestre Li Wng Kay, representante do Estilo Garra
de Águia, (Jen Jiao Fan Tzi).
Em 1979,
chegou o Mestre Li Hon Kay representante do estilo Hung Gar e Wing
Chun.
Em 1980 o
estilo Shen She Chuen começa a ser ministrado no Brasil sob a supervisão
do Mestre Hu Chao Tien, filho do Mestre Ha Shi Wen.
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